Oferta menor que a demanda

Divorciados, estudantes e aposentados fazem parte do público que busca conforto em apartamentos de um e dois quartos

A procura por imóveis menores vem crescendo. Segundo o índice Fipe Zap, divulgado em 5 de maio pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os preços de apartamentos anunciados em Belo Horizonte tiveram alta de 3,17% em abril. Entre eles, porém, o destaque de valorização ficou com os apartamentos de um quarto, que subiram 5,53%. Essa tendência de mercado foi forçada pela mudança da lei de Uso e Ocupação do Solo.

Desde então, o coeficiente de aproveitamento – número que indica o quanto pode ser construído em determinado terreno – foi reduzido em média 10% em toda a cidade. Em alguns bairros, como Buritis e Castelo, a redução chegou a 50%.

O diretor da Balcão Imóveis, Flávio Moreno, explica que até julho do ano passado, quem comprasse um terreno na capital mineira (dependendo da região) tinha um coeficiente de aproveitamento de 1,7. Ou seja: Se o terreno tivesse 400 metros o proprietário podia usar uma área 70% maior. Com a revisão da lei, o coeficiente mudou para 1. “Deixou de ser economicamente viável para o construtor fazer prédios com apartamentos de 4 quartos pois o preço vai ficar muito elevado para o consumidor também”, afirma Flávio.

Ele destacou que na regional leste, onde atua, as construtoras estão edificando imóveis com 45 m² a 55 m² ao invés de apartamentos com 75 m² ou 80 m², para conseguir atingir o público que ainda está na região. Atualmente, a média de preço desses apartamentos gira em torno de R$ 200 mil. O diretor da Autêntica Imóveis, Renato Teixeira, tem a mesma opinião. “Dependendo do espaço físico, as construtoras estão preferindo fazer prédios com vários apartamentos de 2 quartos ao invés de poucos com 4 quartos”, afirma.

Mas a escolha ainda varia bastante de região para região. As demandas por apartamentos pequenos na regional Noroeste estão em alta. “Tivemos o lançamento recente de um prédio de um quarto aqui no Coração Eucarístico e restam poucas unidades”, conta o diretor da Alligare Imóveis, Maike Cunha. O prédio em questão tem aproximadamente 60 apartamentos com um quarto, banheiro, sala, cozinha (alguns com varanda) e lavanderia coletiva por R$195 mil. Ele acredita que a procura por apartamentos menores e mais simples não acompanha a demanda. “Todos os lançamentos de prédios com apartamentos de um quarto que eu acompanhei foram um sucesso”, lembra.

Já, na regional Centro Sul a oferta é pequena. O diretor da Autêntica Imóveis calcula que para cada 400 prédios de 3 a 4 quartos edificados na região, dois deles são de dois quartos e um apresenta só um quarto. “Mas a procura é sempre alta e eles são vendidos com muita rapidez”, assegura.

O mesmo não acontece na regional Contagem. “Nesses últimos dois meses as vendas caíram, pois os imóveis subiram muito por causa da mudança da lei de Uso e Ocupação do Solo”, explica Ricardo Torres, diretor da imobiliária que leva seu nome. Os imóveis de dois quartos que estavam na faixa de R$ 100 mil subiram para R$ 120 mil e as vendas caíram em torno de 60%. A expectativa, porém, é boa. “Acreditamos que as construtoras vão abaixar os preços. Elas já perceberam a diminuição das vendas”.

Quem compra?

Os apartamentos pequenos sempre foram muito procurados por pessoas com uma renda familiar pequena. Afinal, quanto menor, mais barato. Há algum tempo, porém, outros tipos de públicos começaram a buscar imóveis de um ou dois quartos. “São pessoas solteiras ou que se divorciaram e querem morar sozinhos”, afirma o diretor da Autêntica Imóveis, Renato Teixeira. O diretor da Balcão Imóveis, Flávio Moreno, complementa: “Há também um público considerável de pessoas de meia idade ou já aposentados que desistem de ter imóveis grandes”.

E esse novo público traz também novas demandas. Por questões de segurança, essas pessoas procuram imóveis com uma portaria física. A comodidade também é um item de grande interesse. Elevador e pelo menos uma vaga na garagem são indispensáveis, além de uma boa área de lazer com piscina, sauna e quadra. Isso porque as pessoas que moram sozinhas querem levar os amigos para fazer uma festa.

A área de lazer ganha uma força ainda maior quando pensamos em outro público desses apartamentos: os trabalhadores autônomos e estudantes. “As pessoas que moram nesses imóveis são muito dinâmicas. Elas trabalham e estudam muito e não têm muito tempo para sair”, afirma o diretor da Alligare Imóveis, Maike Cunha. Além disso, como esses prédios possuem vários apartamentos, o custo da área de lazer fica barato, pois é dividido entre diversas unidades.

Mas as classes C e D ainda são grande parte do público que busca esses apartamentos de um ou dois quartos. “Muitos são casais novos que procuram um imóvel mais em conta para começar a vida juntos”, exemplifica Ricardo Torres. Normalmente são pessoas que têm uma renda familiar de até R$ 1.800. Para esse público, a área de lazer não é importante. “Eles preferem um prédio com menos itens para não onerar o preço do condomínio”, afirma Flávio Moreno.

Enquanto a oferta por apartamentos pequenos não se iguala a demanda, as imobiliárias trabalham no sentido de captar e fazer parcerias com construtoras para a venda de imóveis com essas características. “Também tentamos conversar com o cliente e sugerir a compra de um 3 quartos compacto”, esclarece Renato Teixeira. Ele informou ainda que, com R$ 450 mil é possível comprar um apartamento novo de dois quartos ou, também, um apartamento de 3 quartos em um prédio mais antigo, construído há 10 ou 12 anos.

Publicado em Sem categoria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *