Além das linhas e das cores

CCBB-BH recebe a partir de hoje mostra que explica como o pintor Piet Mondrian e o movimento De Stijl criaram o que conhecemos como moderno – não só na arte, mas também no design e na arquitetura

 

Composição em vermelho, amarelo, azul e preto (1921)

Na parede que recebe os visitantes da mostra ‘Mondrian e o Movimento De Stijl’ não há uma obra em destaque, mas uma linha do tempo. Mais do que a intenção de impressionar com os trabalhos de artistas renomados como Piet Mondrian (1872-1944), a mostra quer fazer o público entender a importância do movimento que há um século simplificou a arte mundial – e com ela o design, a arquitetura e até a música.

A exposição que entra em cartaz hoje no CCBB, na Praça da Liberdade, traz o maior acervo de obras do artista a visitar o Brasil. A mostra, que já passou por São Paulo e Brasília, vai permitir ao público belo-horizontino a entrar em contato com pinturas, mobiliário, projetos gráficos e arquitetônicos e fotos criados por articulação de artistas, arquitetos e designers alinhados ao movimento De Stijl (“o estilo”), tema da exposição.

Contando com 100 obras no acervo – das quais 30 de Mondrian –, a exposição apresenta de maneira bastante didática como estes artistas, em sua maioria holandeses e franceses, deixaram de lado o figurativismo e passaram à abstração do estilo. “A intenção era criar uma linguagem que todas as artes poderiam utilizar, cercando o ser humano, por todos os lados, de um novo modo de pensar”, observa Pieter Tjabbes, um dos três curadores da mostra.

A exposição combate dois mitos. O primeiro é de a pintura neoplasticista é “só” um conjunto de linhas e formas. Como deixam claros os textos explicativos, há uma filosofia por trás das pinturas. O objetivo dos artistas era retirar todas as impurezas que cercam o nosso ambiente, chegando apenas aos contornos e às cores primordiais – por isso eles usavam apenas as três cores primárias (azul, amarelo e vermelho).

Interatividade

O segundo mito combatido na mostra é de que é fácil pintar desta maneira. Essa ideia é derrubada pela interatividade proposta na exposição. Há dois jogos, um digital e um de montar, em que o público é convidado a reproduzir telas de Mondrian. “A média de acerto é de apenas 20%”, conta sorrindo Tjabbes.

“A arte quando é explicada e quando permite a participação, dá um passo em direção ao público. Nosso objetivo com esta mostra é agradar aos admiradores da obra de Mondrian, mas também fazer com que pessoas que não se interessavam por essa arte possam sair com a sensação de que aprenderam alguma coisa”, explica.

O acervo da exposição é composto pelo empréstimo de obras de três locais, especialmente do Museu de Haia, na Holanda. Neste acervo há raridades, como fotos do ateliê de Mondrian. “Ele só tinha objetos de cores primá- rias em casa. Até a flor de plástico era pintada de branco”, concluiu o curador.

Fonte: Jornal METRO

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